Rima escorre, rima afaga

Palavra fugidia
Um plantio de pé de mágoa
Um pensar que não se acaba
Acabando em poesia

Palavra que não acho
Ou não acha a mim, palavra
De que serve enclausurada?
Em silêncio é quase nada
Que só vale se falada
Se cantada ou declamada
Em silêncio não existes
Tu, palavra que resistes
A quem por ti persiste
E insiste em ti, palavra

Foge, corre, condenada
A ficar na minha cabeça
Há de ter quem te mereça
Se não eu, alguém te encontra

Ah, palavra feito onda…
Faz que chega e vai mansinho
Voa como passarinho
Quando encontra a passarada

Deixe estar, eu me resolvo!
Se não brota em poesia
Brotará em qualquer morro
Terá forma de folia
De olhar e de socorro
Terá pés e mãos vazias
Surgirá em pleno dia:

Eu, de olhos bem atentos
Gritarei aos quatro ventos
Cada letra que hoje nega
E você, palavra ingrata
Pondo fim ao meu tormento
Brilhará em meio a treva

Marina Tavares

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