Champs Elysées

Filete de vida escorre
Pela Alameda Eduardo Prado
Escorre putrefato sobre a frieza do asfalto:
Filete de água turva deslizando ininterrupto
A viagem de só ida margeando o concreto

Sobre o concreto extensão e forma
Como jogadas do edifício
Estático, paralisado
Na Alameda Eduardo Prado:
Um pacote ensimesmado
Tendo à mostra a teta murcha
O ílio ferindo a pele
A boca lambendo a água
O corpo lavado em lama
Corrente sobre o asfalto

É teta pele risco:
Filete de vida turva
Que barbárie fosse bicho
Que barbárie sendo moça

Filete de moça escorre
Filete de moça morre
Pela Alameda Eduardo Prado

Marina Tavares

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