abril 2011


                                                                  Hokusai

Para un amor que no ha nacido

El silencio es la más clara palabra
En la rareza de esta hora extrema
Cuando el deseo es la guía
Y lejos está el ojo que sobre él no reposa
En esta pelea para contener las venas

El silencio es la sencillez de la verdad
Refleja en su letargo la respuesta ya sabida
Y dice que la vida sólo puede ser vivida
Dondequiera que esté el pensamiento
Que lo cambia a cada movimiento
Y lo que fue llegada, pronto se volvió partida

Manos, pelos y la risa
Son encantos del desconocido
Y tal vez lo sean por no haber vivido
Quizá se basten en haberlo querido
Sutil y fluido como la leve brisa

El espacio del recuerdo del momento
Contiene la fuerza del puro sentimiento
Que no se muere lo que no ha nacido

Marina Tavares


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Klimt

A gente quer é um olho pregado na nossa existência. A gente quer é testemunha, toda ela. Nunca vi um só sujeito desenquadrado. Se o fosse, nem sujeito era. A gente quer é a interpretação da gente mesmo. E não há interpretação sem quem penetre. A gente quer é um passo do lado do nosso, pra lembrar que pegada é bem de quem pisa. O que existe, existe diante do rastro. É por isso que a gente se aglutina, toda ela. Faz amigo, amor, tesão. A gente cria laço. Que laço não amarra, lembra. Lembra, pelo olho alheio, que nosso olho é visto. Se visto, existe.

A gente quer é ver a outra existência e nela enxergar o que tem ou não de nós. Nada somos, senão exclusão. Nele, o que não há de mim o torna. Por isso, sou. Por não sê-lo, me assiste. E assim o quero. Todos nós. Ah, a gente quer é uma mão que pegue a nossa, pra provar que temos mão pra encostar.

Somos através do outro. O precisamos para nos saber. Por isso, o olho que a gente busca é olho que admire. Quiçá, seremos o que vêem, admiravelmente.

E assim seguimos, singularmente: emparelhados.

Marina Tavares